Quem não sentiu uma certa tristeza ao final de umas boas ferias? Era o que me acontecia quando acabavam minhas ferias lá na Praia do Farol , em Mostardas. Muitas ferias passei naquela praia e as que mais me marcaram foram as de minha juventude. Naquele tempo os “ranchos” eram estruturas de eucalipto , lateralmente tapadas com taquara e junco e forradas com “tiririca”. Só mais tarde surgiram “ranchos” de madeira. Os ranchos de palha como chamávamos não existem mais, mas confesso que tenho saudade daquele tempo. Na Praia do Farol veraneavam cerca trinta famílias compostas de agricultores da região e alguns parentes visitantes. O veraneio geralmente ia de início de Janeiro aos primeiros dias de Março , quando se iniciava o período escolar. Até a década de cincoenta raramente se viam carros à motor. A “mudança” para praia era feita em carretas e carrocões movidos à tração animal, bois e cavalos, respectivamente. A demora para se chegar na praia era cerca de doze horas com ,descanso para os animais. Não havia comercio na praia e tudo tinha que vit ns
mudança. Latas de biscoito caseiro e “bascuio”, carnes “enterradas” na banha de porco, charque, compotas caseiras, temperadas de cachaça e demais viveres. As familias traziam vacas de leite e algumas ovelhas para carnear, mas a proteína mesmo , vinha da pesca abundante na época , mariscos e camarões , estes últimos comprados aos pescadores da Lagoa do Peixe.
Durante minha juventude e mesmo na idade adulta era considerado o seresteiro da praia. Quando chegava na praia era motivo de alegria porque “agitava” as noites com serestas e bailes improvisados em ranchos de palha e chão de areia ou Ternos de Reis. A “orquestra” dos bailes improvisados era eu ou Jose Novelli no violao, tio Arthur Novelli no violino, Elson Novelli no pandeiro e outros “instrumentos” de percussão tais como panela velha, colheres e tocos de madeira. Às vezes cantava sozinho, outras todos cantávamos juntos. Afinação era o que menos interessava. Tudo pela festa. Não raro estes bailes iam até o clarear do dia. A iluminação era à lampião de querosene e,quanto mais escuro melhor kkk. Vez por outra algum casal desaparecia do salão para namorar nos combros ou fazer alguma “necessidade”. Nós da “orquestra” só tínhamos como recompensa piscadelas e “olhares de promessa” trás dos ombros de alguns dançarinos. Não gostava quando o baile ia ate muito tarde para que houvesse alguma bulinação com as gurias na volta para casa.
Quando alguém de apaixonava , me pedia para oferecer uma serenata para sua “amada”, não raro , no outro dia a “amada” ficava a fim de mim kkk. Foda-de! Guerra é guerra! Quem mandou pedir pra fazer serenata!
Relembrando com saudável saudade daquele tempo é que compus a música Dia de Partida. Espero que gostem!

DIA DE PARTIDA
(Nilo César)

Dia de partida ate o mar embrabece
Parece que as ondas crescem
Querendo assim derramar
Nos “costados” de meu rancho
Lagrimas do velho mar

A nossa praia e defronte á Velha Terra
Tem marisco e “papa-terra” e camarao do Lagamar
Gente de “fora” também gente da cidade
Já deixaram com saudade
As delicias deste mar

Tempos atras gemia o carro de boi
Esse tempo já de foi ,era maior a minha dor

Mas hoje ainda, minha mágoa não se finda
Quando e dia de partida ouço ronco de motor

Na nossa praia farol que fica ao lado
De tão triste e magoado com a minha solidão
Jogava fachos vermelhos e prateados
Pelas frestas de meu rancho estranhos desenhos no chão.

Muitos partiram, amanhã parto tambem
Mas para o amo que vem de movo aqui estaremos
Peço ao Pai , saúde prá todo mundo
Pra que noutro Fevereiro estejamos todos juntos,

ALMA GAUDÉRIA

DIA 20 de Setembro, dia em que nos gaúchos comemoramos a Revolução Farroupilha estive no Piquete 38 lá no Parque Harmonia onde tive a alegria de encontrar com amigos e gente das artes gaudérias. Neste tipo de reunião me sinto em casa pois reina o congracamento de pessoas que curtem as tradições gaúchas sem preconceitos. Ali todos SAO realmente iguais. Fiquei muito orgulhoso de me apresentar no mesmo palco de ícones da MUSICA gaudéria tais como: Telmo de Lima Freitas, Doroteo Fagundes, Osmar Carvalho, Edersom Carvalho, Beto Caetano, Fátima Giménez, Jiliana Waltemann, Leandro e Marcelo Cachoeira dentre outros. Falo de orgulho por ter a oportunidade de apresentar minhas canções nativas da Linha Litorânea sendo tao bem recebida pelos presentes ao evento quando interpretam TOTEM e VENTO DO LITORAL.
O título de Alma Gaudéria , coloquei neste, porque ouvi muita coisa na língua castelhana, provando que os “gaúchos” apesar das fronteiras geográficas que nos separam do Uruguai e Argentina estao irmanados pelos costumes. A propósito, nos gaúchos “importamos” e nos “apropriamos” de muitos ritimos de daqueles países. Com certa estranheza observei que promessas jovens de nossa MUSICA estao se passando para o movimento “Sertanejo Universitário”, em busca de expressão nacional e claro, mais dinheiro. A MUSICA gaudéria NAO cosegue, apesar de sua qualidade e beleza, atravessar as fronteiras de Santa Catarina. exceção quando travaste suas canções com ritimos mais aceitos no resto do Pais. O que e uma lastima. poios aprisiona nossa arte as nossas fronteiras. NAO tenho a formula para resolver esta questão, mas seria o caso de tornar nossa MUSICA mais “pop”, mas lastimo que grandes músicos e artistas daqui estejam migrando para outros ritimos e rincões em busca de um lugar ao Sol. Um pouco da culpa disto atribuo a nossos empresários que contratam para grandes eventos, artistas de fora a peso de ouro e siquer contratam um “dos nossos”. Seria a Globalização? Seja lá o que for! Que nunca se apague a nossa chama! Que nunca morra nossa ALMA GAUDÉRIA, ate porque a alma e imortal!

Havia tempos não visitava a Praia do Farol, praia esta das lembranças de veraneios muito felizes em companhia de pessoas muito próximas. Ali todos se conheciam e aqueles veraneios foram tão importantes para mim que as vezes meus olhos marejam quando me vem a lembrança o quanto era feliz e não sabia. Como não haviam muitas diversões inventávamos brincadeiras mais ou menos ingênuas de esconde esconde, de escorregar e pular naquelas dunas. Digo mais ou menos ingênuas, porque não poucas vezes aparecia uma ou outra nesga de calcinhas e, para ser sincero, acho que as gurias sabiam…

Desculpem mas quando escrevo tenho de me controlar pra coisa não virar pornografia saudável ou gozação!kkkkk Deixemos este assunto de lado e vamos ao que motivou escrever a letra da música DUNAS BRANCAS. Como falei de início, havia tempo não visitava a Praia do Farol quando deparei-me com uma famigerada placa fincada nas dunas, que me considerava dono, com os seguintes dizeres: PROIBIDO TRANSITAR NAS DUNAS A PARTIR DESTE LOCAL. PARQUE NACIONAL DS LAGOA DO PEIXE ETC.
Aqueles dizeres mexeram com meus brios, pois no passado me julgava o dono daquelas dunas intermináveis absurdamente lindas e que estavam sempre a mudar de lugar. A duna que você visse hoje, amanha não estaria mais ali. Isto me fascinava, era como se estivesse num deserto todo meu. Em muitas ocasiões, cavalgava nas dunas e me imaginava um beduíno do deserto a procura de caravanas para assaltar e roubar a odalisca mais bonita. Minha mente sempre foi muito “cinematográfica”, acho que por isto faço músicas e tenho maravilhosos devaneios. Acredito que sem isto, minha vida seria insossa, uma verdadeira merda.
Um dia estava eu, com uma ressaca do caralho e, como sempre me ocorria nas ressacas, ficava absorto em devaneios em que haviam até diálogos ou escrevia alguma coisa. Peguei um papel velho, uma caneta e escrevi esta letra que me traz tantas lembranças e um pouco de revolta por terem tomado minhas DUNAS.

DUNAS BRANCAS

Dunas brancas
Esculpidas pelos ventos
Ao relento nunca param de mudar
Dunas brancas
Bordados de minha terra
És miragem
Que NÃO canso de fitar

Dunas brancas numa noite encantada
Recordadas sob um céu prata-luar
Confidente de amores passageiros 
És miragem que NÃO canso de fitar

Dunas brancas inspirastes tantos sonhos
Inspirastes também nossos Pioneiros
Que chegaram pelo mar lá do estrangeiro
De apossando do que o índio viu primeiro

Dunas brancas hoje ao ver-te na reserva A pretexto de querer te preservar Dunas brancas símbolo de liberdade Não tens dono ninguém vai te confinar

Dunas brancas que brinquei quando Criança Hoje quase não te posso mais tocar Ironia de Senhores da Verdade A um povo que te soube preservar

Numa manha de verão eu e Fátima estávamos a olhar o movimento da Praia do Farol quando de repente avistamos um homem que se dirigia a galope num lindo corcel branco. Ele se aproximou e, sem mais delongas, disse: eu sou Farat, o cigano. Vim cumprir a promessa que te fiz há sete anos, ademais ,Ala, O Misericordioso, tem um recado para para você e me escolheu para ser o memsajeiro. Neste instante lembres que havia muito tempo cedi a ele uns litros de combustível para que este completasse sua viagem a Mostardas, o que de fato, naquele deserto litorâneo era um grande favor mas jamais pensaria em cobra-lo.
Em seguida Farat retirou de sua mala de garupa meia banda de um carneiro. Disse-me que em sus tribo era costume pagar favores com carne de carneiro. Sem querer ser grosseiro aceitei a paga e fizemos churrasco de carneiro, regado a muito vinho, musica FLAMENCA e muita charla interessante. O cara era bom de papo, muito culto e alegre, embora as vezes saísse pouco do ar, o que me punha em guarda.
Após ter-lhe dito que preferia o barulho do vento, o movimento das dunas e o vai e vem do mar matas. Dito isto Farat, em transe, me transmitiu aquilo que julguei ser a mensagem de Ala. Em meio a um canto em idioma estranho para mim , apontou para as dunas e disse: “teu ancestral veio do deserto; tua origem nao e a que pensas ser;teu anjo nao tem asas, usa facas curvas e roupas estranhas; teu ancestral lá do deserto, a quatorze gerações degolou o tuaregue inocente e teu clã do será libertado da maldição de Ala o dia que um dos teus unir seu sangue ao da Odalisca descendente do tuaregue morto.” Depois completou dizendo que um de meus filhos, de nariz adunco como o falcao nos redimiria da maldição de Ala ao contrair núpcias e me dar herdeiro.
Presenteou Fátima, a quem chamava de Mulher do Oásis com uma belíssima peca artesanal em bronze que guardamos com carinho ate os dias de hoje. Após o ato que julguei ser uma oração a seu Deus Farat, montou em seu corcel e desapareceu em meio as dunas ate que se confundiu c elas. Eu e Fátima nos olhos como se estivéssemos dizendo um só outro:
Será que isto aconteceu?
Muito tempo de passou ate que ao contar esta história aos meus filhos Lucas e Thiago e ao sobrinho Matheus, fizemos esta canção cuja letra e musica me omocionam muito pois mexem com um mundo imaginário sem o qual a humanidade morreria de tédio

A LENDA DE FARAT

Numa imensidão de areias
De um de um deserto litorâneo
Um cigano solitário me falou
Em sua prece, seu lamento
Lembro magico momento
Que o cigano viajandeiro revelou

(refrão)
Ooo ooo ooo
Pode vir que sou Farat
O cigano viajandero
Ooo ooo ooo
Pode vir que sou Farat
Nao me troco por dinheiro

Num deserto bem distante
O teu ancestral errante
Com o falcao e o corcel atravessou
Caminhou em direção
A um “farol de solidão”
Foi guiado pelo que o Simun levou

(refrão)

Pegou sua cimitarra
Pra vencer seu inimigo
E a garganta de um tuaregue degolou
Mas seu sangue era inocente
E o Simun, vento inclemente
Na Odalisca Sete Véus
Se transformou.„,

“O anjo que te guarda NAO tem asas,
o fio da espada curva e tua casa,
teu ancestral fugiu do Oriente
e um dia voltar a sua gente,
e por quatorze gerações ela vai caminhar,
por terras estranhas ate emcontrar
o sangue do tuaregue, sua maldição
e ala o redimir em forma de canção. Ala”
Obs.: Esta musica foi gravada por @nilonovellis (voz), @lucasfresno (voz, coral, arranjos e execucao instremtal) e @Bell_Fresno (bateria),


A letra de música que posto agora foi composta por mim a muitos e muitos anos atrás. Ela ficou ali guardada naquele velho caderno de músicas como se ficasse a esperar que Lucas, meu filho, crescesse e se tornasse um artista, um poeta. Seu nome: SER POETA! A letra fala da solidão dos artistas a par das multidões que os seguem. Acho que esta e uma característica de grande parte deles. Quantas vezes o artista é aplaudido pela multidão, mas ao final do show fica apenas observando os casais da janela de sua Van. Acho que o par de qualquer artista tem que ser uma pessoa muito especial e que entenda sua alma inquieta, senão será um ser fadado a trazer felicidade aos outros e ele, mesmo um solitário, um incompreendido, o personagem desta música.
SER POETA!
Procuro o impossível encontrarAmores que não vem para ficarTão só, mas nada faço pra nao serTão só como so o lobo sabe ser
Platéias e platéias me assistindoEncontram em minhas rimas seu caminhoAlguns ainda tentam me abraçar Mas quando acaba o show estou sozinho
E assim de amor e amor eu vou vivendoE assim de amor e amor me consumindoAlguém que lê meus versos interpretaMelhor ter só UM AMOR que ser poeta

A letra de música que posto agora foi composta por mim a muitos e muitos anos atrás. Ela ficou ali guardada naquele velho caderno de músicas como se ficasse a esperar que Lucas, meu filho, crescesse e se tornasse um artista, um poeta. Seu nome: SER POETA! A letra fala da solidão dos artistas a par das multidões que os seguem. Acho que esta e uma característica de grande parte deles. Quantas vezes o artista é aplaudido pela multidão, mas ao final do show fica apenas observando os casais da janela de sua Van. Acho que o par de qualquer artista tem que ser uma pessoa muito especial e que entenda sua alma inquieta, senão será um ser fadado a trazer felicidade aos outros e ele, mesmo um solitário, um incompreendido, o personagem desta música.

SER POETA!

Procuro o impossível encontrar
Amores que não vem para ficar
Tão só, mas nada faço pra nao ser
Tão só como so o lobo sabe ser

Platéias e platéias me assistindo
Encontram em minhas rimas seu caminho
Alguns ainda tentam me abraçar 
Mas quando acaba o show estou sozinho

E assim de amor e amor eu vou vivendo
E assim de amor e amor me consumindo
Alguém que lê meus versos interpreta
Melhor ter só UM AMOR que ser poeta


Certo veraneio na Praia do Farol, em Mostardas/RS choveu quase duas semanas sem parar, fato bastante estranho no verão. Os veranistas tiveram de improvisar capas com pedaços de plástico para enfrentar aquele vendaval medonho em pleno verão. Acho que foi naquela ocasião que nasceu em mim o sentimento preservacionista. Culpei aquela anomalia do clima aos maus tratos que damos à Natureza, no caso o mar. Regado a uma boa “caipa” e um chimarrão amigo, pedi lápis e papel e, aos poucos, foi nascendo a canção LIXO MALDITO que postarei abaixo. De inicio dei-lhe o nome de A LENDA DO VELHO MAR, mas depois troquei o nome por acha-lo mais impactante. A letra é uma constatação científica, mas pura inspiração, até um pouco ingênua dos fenômenos do clima. Como toda a inspiração vem de algo superior, para mim o ALIEN, pode ser que tenha algum fundamento. Heis! LIXO MALDITO

A chuva “guasqueava” o rancho

E eu que nem o carancho

Em cima do patamar

Com uma capa improvisada

Cismava o céu o mar

Que rugia como um dragão

“Churumimgava” num chão

De areia branca e lavada

Querendo trazer de volta

Sua natureza ultrajada

E devolvendo praqueles

Que nao ouviram seu grito

Todo o LIXO MALDITO

Que envenenava suas águas

Interrompeu meu verão

Querendo me dar um “trote”

Cade o sol que bronzeia?

Cade a minha sereia, Tainhas e cachalotes

O mar pronto respondeu

Não há cego que não note!

De mim podes tirar o fruto

De troco te dou dote

Só não manches minhas águas

E preserve os meus filhotes!

E depois de um juramento

Que fiz para o velho Mar

As nuvens se dispersaram

E o sol voltou a brilhar

Devolveu a minha praia

Demorei a acreditar

Ouvi um canto de sereia

Bem longe na fina areia

O vulto da Iemanjá

Inicio este blog com a letra de uma musica de minha autoria ,mas que na verdade, para fazer justiça, me foi “psicografada” pela pombo giro Maria Molambo. Estranhamente, pessoas se identificam nesta musica de maneiras diversas, demonstrando uma certa “universalidade” no significado de sua letra. Heis!

TEATINO PERDIDO
(Nilo Cesar)

Caminhando praias
Levando a “guaiaca”
Repleta de sonhos
Lembranças, amores
Repensando a vida
Teatino perdido
Gaivota ferida

Fazendo morada
De juncos da estrada
Fazendo da vida
Uma concha fechada
Teatino perdido
A tua missão
Vir aqui na Terra
Nos dar a “visão”

Envolto em brumas
A beira do mar
Teatino perdido
Me conta tua história
Que eu quero escutar

Quem sabe és um louco
Teatino perdido
Talvez o Messias
Fiel peregrino
Na tua busca insana
Quem sabe procuras
Teatino perdido
Razão na loucura

Teu modo de ser
E viver de belezas
Desprazendo luxos
Tu tens a riqueza
De nada querer
Teatino perdido
Estas muito mais perto
Da Mae Natureza

Envolto em brumas
A beira do mar
Teatino Perdido
Me conta tua história
Que eu quero escutar

Invejo teus sonhos
Pois sao coloridos
Tua liberdade
Faz de ti menino
Gaivota ferida
Entre o céu e o mar
Sem volta pra vida
Talvez tu consigas
O céu alcançar